CPI das Milícias

CPI das Milícias vai se concentrar em Jacarepaguá .

Em depoimento, delegado diz que grupos de paramilitares crescem com apoio de delegacia e batalhão da área.

Rio – A partir da próxima semana, a CPI das Milícias da Assembléia Legisltaiva do Rio (Alerj) vai estender as investigações sobre a atuação de paramilitares em comunidades de Jacarepaguá – Rio das Pedras, Gardênia Azul e Praça Seca, na Zona Oeste, e não apenas em Campo Grande, como realizado até o momento.

A área foi citada pelo delegado da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco), Cláudio Ferraz, durante reunião nesta quinta-feira, como uma área ainda mais lucrativa para a milícia do que outras áreas da Zona Oeste. Segundo Ferraz, o grupo já estende seu domínio até a comunidade de Quintino.

Em depoimento, Ferraz também disse que as milícias, em sua maioria, só conseguem crescer quando têm apoio da delegacia e batalhão da área. Ele informou ter dados sobre a existência de milícias em Volta Redonda, Macaé e Região dos Lagos.

O delegado disse ainda que não adianta contratar mais policiais para as polícias, enquanto houver a atual estrutura. “O que existe hoje é um ambiente propício para que o policial ingresse nas atividades ilegais. Recrutar policiais nesse ambiente significa dar a um maior número de profissionais a possibilidade de ingressar no meio escuso”, avaliou o delegado, reforçando que só aumentar o salário do policial já não resolve o problema.

Para iniciar a nova linha de investigação, a CPI vai convocar o delegado da 32ª DP (Taquara), em Jacarepaguá, para prestar depoimento. Além dele, o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, e o procurador-geral de Justiça, Marfan Vieira, também serão chamados.

Na próxima quarta-feira, às 14h, na sala 311 do Palácio Tiradentes, a CPI receberá representantes das distribuidoras de gás Ultragaz e Sindigás e da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

As pessoas que quiserem colaborar com a CPI, através de denúncias, podem ligar para a comissão no telefone gratuito Disque Milícia da Alerj (0800 28 20 376) que já registrou, até o momento, cerca de 500 ligações. As informações recebidas ficam sob sigilo e são encaminhadas a analistas especializados, convocados pela CPI.

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