
O Dia
A operação que resultou na prisão de Ricardo Teixeira Cruz, o Batman, acusado de ser um dos líderes da milícia da Liga da Justiça, foi um exemplo de como a inteligência é a melhor força bruta. Depois de um trabalho de investigação, o bandido foi preso na casa onde se escondia na Zona Oeste, sem que fosse disparado um único tiro ou colocada em risco a integridade de pessoas inocentes ou dos próprios policiais.
A PRISÃO DE BATMAN, que saíra pela porta da frente de um presídio de segurança máxima em outubro, é uma vitória da Missão Suporte, criada recentemente pelo chefe de Polícia Civil, Allan Turnowski. A sociedade espera que outras venham como resultado de trabalho de investigação policial bem-feita.
ALÉM DA PRÓPRIA PRISÃO de um bandido do peso de Batman, apontado como principal matador da milícia, a operação resultou em outra vitória, ainda mais importante: o resgate da confiança na capacidade da Polícia Civil. Num estado no qual são comuns as críticas à ineficiência e à truculência dos policiais, ver uma operação como a que terminou na quarta-feira é gratificante.
O TRABALHO ENVOLVEU planejamento cuidadoso para localizar o bandido, acompanhar seus passos até o momento certo de dar o bote, sem permitir qualquer chance de fuga. E assim foi feito. Os movimentos de Batman foram monitorados até ele ser cercado, com uso inclusive de um helicóptero com iluminação, e capturado.
HÁ MENOS DE UM MÊS à frente da Polícia Civil, Allan Turnowski está de parabéns não só por sua primeira grande vitória contra o crime organizado, mas por mostrar que investigação e planejamento são fundamentais. Com isso, ele começa a cumprir a promessa que fez ao assumir o cargo. E a sociedade espera que prossiga, sempre colocando a inteligência em primeiro lugar.
Jornal O Globo
Coluna Opinião publicada em 16 de maio de 2009
Com Louvor
Ao juntar procedimentos de inteligência operacional, a polícia do Rio saiu-se com louvor da operação que resultou na prisão do chefe miliciano Batman. Igualmente exemplar deve ser o passo seguinte – puxar o fio da meada, de modo a levar à prisão policiais corruptos e todos quantos estejam envolvidos com o grupo paramilitar chefiado pelo ex-PM. Que esse primeiro êxito da nova – e correta – política de combate às milícias, com a criação de um grupo especial dentro da corporação, leve a outras bem sucedidas operações contra este braço do crime organizado.
Foto: Domingos peixoto O Globo